terça-feira, agosto 09, 2005

primeiros sentidos...

Vale da Amoreira.......
Fim da manhã...... hora de muito calor.
A escola mais conhecida pela “escola do mato” está situada na extremidade do Vale com uma área circundante bem aberta e com zonas verdes selvagens.
É curioso o nome popular “escola do mato”, quando a palavra mato, em crioulo da Guiné-Bissau significa zona de floresta. Também existe uma relação entre “escola de mato” e a luta de libertação nacional na Guiné. As “escolas de mato, eram as escolas que funcionavam, durante o colonialismo, nas zonas libertadas do PAIGC. Eram escolas que muitas vezes funcionavam debaixo das árvores e com uma rápida mobilidade em caso de ataque do colonialismo. A transferência desta palavra para o Vale da Amoreira é bastante interessante e curiosa.....

Bem perto da escola há um complexo urbanístico para a comunidade cigana. Casas térreas, com quintais e bastante aberto. Ainda assim a comunidade tem um campo largo atrás das casas onde podem estar. Também existem algumas barracas..... provavelmente de ciganos que não conseguiram o realojamento.
Portanto a comunidade mais próxima da escola é de facto a comunidade cigana.

O Centro Comercial zona F, é um dos corações de actividade comercial e social do bairro. Tem lojas, cafés e restaurantes e à entrada algumas ciganas vendendo.
Como é normal neste tipo de lugares a conversa pode fluir rapidamente e com muito sentido de humor. Assim, conversámos com algumas pessoas no café: o dono, os clientes e ainda o guarda nocturno da escola do mato. A conversa foi andando desde o futebol até às “manias das mulheres modernas”. Segundo o guarda nocturno (com ar de troça) foi dizendo que agora as mulheres vêm a telenovela e os homens lavam a louça...... e também foi falando da escola ..... dizendo que não havia problemas com a segurança à noite, mas claro que ele tinha medo. E assim fomos caminhando na conversa e tecendo várias cumplicidades futebolísticas e de género........

À porta da entrada conversámos com as mulheres ciganas que ficaram preocupadas quando tirámos fotografias..... medo de que fossemos da Câmara...... talvez problemas sobre o rendimento mínimo já que elas elas estavam a ter uma actividade comercial.... não sei.
Mas conversamos e criando as cumplicidades próprias entre mulheres lá acederam às fotografias com o compromisso de também lhes darmos uma cópia..... e estavam felizes.

Caminhando pelo bairro fomos descobrindo as formas sinuosas entre os prédios onde os jovens se encontram ao fim da manhã ou ao fim do dia.

Alguns dos prédios estão muito degradados e sujos o que dá uma imagem do bairro muito negativa, principalmente para os que lá vivem como para quem lá entra.
São bairros sociais cuja construção nunca preocupação de um bom lugar para viver! Os prédios são caixotes, sem varandas e onde não há espaços verdes para ambiente social. O bairro tem muitos espaços abertos mal aproveitados. Assim, os jovens apenas ficam com os centros comerciais, e os cantos sinuosos para os seus encontros sociais.

Questiono-me:
1 – Estando a escola do mato tão perto de uma comunidade cigana, qual é a ligação da escola a essa comunidade e vice-versa?
2 – Quantas crianças e jovens ciganos frequentam a escola, ou as actividades da escola?
Vamos continuando com estas percepções e reflexões......

Safe, relatively speaking

As with everything from the climate to politics in Portugal - this area, with such a bad reputation for problems of unemployment, drugs and violence related to social exclusion, is moderate in comparison with the inner city areas I've known in UK.

Coffee and Benfica banter

We hung out in the local shopping centre and had coffee, disrupting the men reading their "Borla" by talking loudly (well, Paula anyway) about football. The spotlessly clean and calm café is decorated from ceiling to walls to floor with Benfica paraphanalia - so Paula's loud claims to be Sportingista were greeted with friendly heckling. The guy who most joined in our conversations was the night time security guard at the school. Our photo of him has him showing off his Benfica membership card.

On one side of the school - cigano community

It was the holidays so there were few people about and we walked round the periphery. The school is set outside the town itself. On one side is an open field where the gypsies who have houses there hang out and where the protesting gypsies have built houses (protesting for not having one of their own). As Paula pointed out, these are the first houses where gypsies have been relocated which also have a tiny bit of land.

The houses have a great air, some with cabbage planted outside and some with buganvilia. There are very wide spaces between the rows of houses. Paula had some great stories of how families live in one room, using the other rooms in the house for storage - of course. And about intimate noises that can be disconcerting for non-gypsy neighbours. The noise of having sex is a public affair as the more noise there is the greater sign you have of the virility of the man.

Opening the blog

Paula, Anália and I met up in Barreiro to go and visit the school, or rather the area of Vale da Amoreira where the school is located. Paula's insider knowledge and amazing banter with the people we bump into made for a really great morning. We decided to keep a blog of our adventures! If anyone wants to join the blog, just let us know. All stories welcome.